Herói é o homem da renúncia.
Mas a gente costuma valorizar os homens de ação, os homens práticos que fazem o progresso material e as guerras. Para eles todas as homenagens.
O ato da renúncia é mais louvável do que o ato do apego. E a gente vive, o tempo todo, se apegando às coisas, ás pessoas, aos lugares, como se essas coisas, essas pessoas, esses lugares estivessem, sempre, à nossa disposição.
O medo que estamos sentindo, freqüentemente, é o medo das nossas perdas. Perda da mocidade, perda do dinheiro, perda da saúde, perda do prestígio, perda do amor, perda do emprego, perda da amizade.
Renunciar é, sobretudo, um ato de coragem. E poucos conseguem praticá-lo.
É fácil apegar-se. Difícil é desapegar-se.
porque o apego é o que nos escraviza, é o que nos preocupa, é o que nos angustia, é o que nos torna infelizes, deprimidos, egoístas.
Não é o ato da renúncia que importa. O que importa é o espírito da renúncia.
Você pode ter muitos bens e não ser apegado a eles, desde que se conscientize de que tudo passa, de que tudo nos chega como empréstimo, porque chegará, um dia, em que teremos de abandoná-los.
Ninguém é proprietário de nada, a não ser de sua própria consciência.
É difícil renunciar. Até mesmo a um simples cigarro.
Rico é aquele que é pobre de necessidade - escreveu um grande pensador.
Parafraseando, diríamos: rico é aquele que é pobre de apegos.
Renunciar ao ódio, à vingança, aos vícios, aos ressentimentos, à inveja, eis aí o grande heroísmo.
Afinal, como devemos viver no mundo?
Paulo de Tarso tem a receita.
Ei-la: "viver como possuindo tudo, nada tendo, com todos e sem ninguém".
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